Descubra o lo-fi carioca e tropical de Mahmundi em seu novo álbum "Mundo Novo"



No último dia 29, o mundo parou - apesar de já estar parado - pra ouvir o sexto álbum de estúdio de Lady Gaga, intitulado Chromatica, o que acabou ofuscando um pouco o lançamento (Universal Music) do terceiro álbum da cantora, produtora, musicista e compositora brasileira Mahmundi.

Marcela Vale é carioca da gema, foi integrante (guitarrista e vocalista) da banda Velho Irlandês até 2010. Também já se aventurou como técnica de som, e após dois EPs independentes bem sucedidos, lançou seu primeiro álbum homônimo em carreira solo em 2016. Desde então, vem ganhando destaque na música brasileira, sendo comparada à Rita Lee e Marina Lima, e ganhando prêmios como o de Artista Revelação da Associação Brasileira dos Críticos de Arte e o Prêmio Multishow de Música Brasileira.




Mahmundi tem um som tropical, que lembra o verão, e com clara influência de indie, new wave e synthpop, com uma levada genuinamente brasileira. É moderno, com um gostinho vintage. Ela consegue ser intensa e melódica sem parecer melodramática. Poética e musicalmente complexa (foca nas maravilhosas linhas de baixo), sem soar "cult" e inacessível. Leve e otimista de uma maneira tão autêntica, que passa bem longe do pedantismo e ar dissimulado de artistas que, no alto do seu privilégio, bradam "imagine all the people". Além disso, tem uma seleção de timbres e sintetizadores que vão pra além do bom gosto.

O terceiro álbum, Mundo Novo, conta com apenas 6 faixas, mais a introdução narrada por Paulo Nazareth (voz conhecida pelo projeto Crombie).


"A relação humana é a mãe da nossa humanidade. E quando a gente se lança nesse desafio: de trocar mais de perto, de se expor, de encarar mais a nossa vulnerabilidade, pra ser de verdade. É aí que se abre um mundo novo" trecho da narração de Paulo Nazareth em "Mundo Novo (Intro)"



A arte da capa, assinada pelo artista Gabriel Kempers, procura discutir os desdobramentos desse nosso "mundo novo", em isolamento, onde tudo se tornou absolutamente imprevisível, e somos desafiados a (re)perceber o cotidiano através nas nossas janelas - no sentido literal e no figurado, como cantado em "Nova TV", faixa de abertura do disco.

"Convívio" (original da banda Crombie) fala lindamente sobre empatia, olhar e se interessar genuinamente para o outro. Sua visão de mundo, sua história, e nesse meio tempo, poder experimentar um outro nível de autoconhecimento ao olhar não só pra dentro, mas para fora. Uma faixa melódica e introspectiva, que ganhou profundidade na voz da cantora e tem o poder de aquecer nossos corações.

Na sequência, vem "No Coração da Escuridão", trazendo um clima mais ensolarado, como o próprio verso evoca. "Nós de Fronte" nos leva de volta a uma posição mais contemplativa, e reflete sobre mesmo abatido por um mundo doente, ainda ter vontade de viver.

Já com ares de final de festa, "Sem Medo" tem uma vibe raggae e lembra mais o clima do álbum homônimo de 2016, e tem talvez o instrumental mais interessante e "gingado" do disco. "Vai" encerra a audição curta - algo em torno de 25 minutos - numa vibe de folk moderno, lembrando bandas como Of Monsters and Men. A canção nos faz imaginar como será poder sair novamente pelas ruas desse "mundo novo", e tem um tom tão otimista quanto melancólico, que traz uma dolorida esperança, ou aquele riso que enche nossos olhos de lágrimas. Mahmundi, como de costume, revela seu ponto de vista sensível e autêntico, nos fazendo sentir abraçados e compreendidos. Uma ótima companhia para essa quarentena.



Mundo Novo está em todas as plataformas de Streaming.








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