Cammie Gilbert do Oceans of Slumber: "Eu sinto que minha história está quebrada, eu sinto que a América está quebrada"

A vocalista do Oceans of Slumber Cammie Gilbert compartilha sua opinião sobre a história da América, sua própria herança e para onde devemos ir agora. 

Texto de Cammie Gilbert

Eu sou uma mulher negra na América e sou a tataraneta de escravos. Memórias apoiadas somente por fotografias; quando eu era menina eu tentava imaginar como era a vida deles. Mas com o tempo, a realidade revelou o mistério por trás da minha imaginação infantil. Agora quando eu vejo fotos antigas de documentários sobre a guerra civil, eu vejo seus rostos. Quando eu assisto as gravações granuladas em preto-e-branco representado a era de Jim Crow, eu vejo seus rostos. Quando eu assisto os filmes das marchas inspiradas por Martin Luther King Jr., eu vejo seus rostos. E agora quando eu me conecto nas redes sociais e vejo manifestantes sob efeito de gás lacrimogênio, eu vejo seus rostos, exceto que agora o meu está lá também.
Eu não posso mais abordar esse assunto sem uma enorme quantidade de emoções ultrapassando minhas determinações. Eu não posso mais evitar as lágrimas de raiva de brotarem e derramarem dos meus olhos quando senadores, prefeitos, celebridades e pessoas corajosas negras online compartilham suas frustrações sobre as falhas dessa nação. Eu tenho visto mais pessoas negras chorarem na televisão nacional do que nunca, nunca mesmo. Eu me sinto quebrada, eu sinto que minha história está quebrada, e eu sinto que esse país está quebrado. George Floyd foi a ponta do iceberg. O catalisador para uma nova geração finalmente dizer que chega, já deu. A inegável crueldade com que sua vida foi levada não pôde ser ignorada. Em uma forma emocionalmente mutilada e desconfortável nós temos que nos considerar sortudos por sua morte ter sido capturada em vídeo. Isso finalmente deu ao mundo a chance de ver o que os negros americanos têm tentado chamar atenção por décadas. Que as coisas ainda estão quebradas. Muito, muito quebradas. 

Quando você pensa na história da América, há muito pouco que seja bom para qualquer um que não seja branco. Essa é a verdade. Isso deixa um sentimento vazio no seu peito em absorver essa informação de diferentes maneiras. Você percebe que esse país não está consertando nada, ele está deixando algo passar. Ele começou quebrado, ele começou da maneira errada, com a fundação errada e com a forma errada de pensamento. Ele optou por dar uma desculpa esfarrapada antes mesmo que ele começasse. Ele optou por basear suas forças na habilidade em manter a opressão sobre outros. Ele optou pela forma fácil de avançar, não percebendo que essa também seria a forma que o puxaria para trás. A América está desenrolando, exalando; não mais prendendo a respiração ou guardando espaço para o ódio, para a opressão, por ter escolhido a saída mais fácil. Como uma nação nós precisamos mostrar compaixão e cuidado com as pessoas e comunidades mais vulneráveis e mais perturbadas. O que os levanta também levanta todos nós. Quanto antes as pessoas perceberem que pertencer a uma comunidade significa mais que passar os outros pela rua, mais cedo nós podemos achar a solidariedade de avançar e fazer mudanças reais para todo mundo.
Nos próximos dias nós teremos o desafio de colocar essas emoções em ações focadas em objetivos. Quando os protestos pararem, onde iremos e como nós incorporaremos o que aprendemos no nosso dia-a-dia? Como canalizar tudo isso em passos produtivos que vão manter o ímpeto desses protestos avançando? Esse é um tempo de reflexão para todos. Nós devemos perguntar a nós mesmos, as minhas crenças fizeram a minha vida melhor? Minha crenças fizeram a vida daqueles ao meu redor melhor? Responda a tudo isso honestamente e responda com frequência. Nosso futuro depende disso. 
O novo álbum autointitulado da banda Oceans of Slumbers estreia no dia 04 de Setembro via Century Media. 


Postar um comentário

0 Comentários