"She-Ra e as Princesas do Poder" é amor não-romântico, que você vai amar! [SEM SPOILERS]





O estúdio de Steven Spielberg, Dreamworks, atualmente famoso pela saga fantástica de Como Treinar Seu Dragão – os filmes e os seriados – primeira animação cronológica em que os personagens crescem e podemos vivenciar com eles todos os dilemas desde a infância até a vida adulta das personagens (#FicaDica), em parceria com a Netflix produziu She-Ra e as Princesas do Poder – que chegou ao fim esse ano. (#Chateada)

*esse artigo não tem spoilers, pode ler sem medo*

Desde sua estreia em 2018 até 2020 She-Ra e as Princesas do Poder expressaram em suas cinco temporadas uma animação que tem muito a ensinar para você e seus filhos, sobrinhos, marido, esposa, amigos, vizinho – todo mundo deveria assistir, sério.

No mesmo molde enriquecedor de Como Treinar Seu Dragão (assiste esse também, nunca te pedi nada), a animação traz princípios cada vez mais ignorados em nossa sociedade como: amizade, amor não-romântico, coragem, inteligência acima da força e perdão, bem embalados em histórias realmente cativantes.



O romance é tão discreto, que você só sente mesmo na última temporada (precisamos falar sobre desintoxicação de romance, mas isso fica pra outro dia...). E uma das abordagens mais preciosas do seriado é a afirmação do perdão como cura nas relações. Não no molde religioso do perdão gratuito, que cedemos só para tocar a vida, mas conquistado por meio de atitudes que demonstram mudança de comportamento.

Inclusive, a própria criadora do seriado Noelle Stevenson falou sobre a questão do perdão ser resultado de esforços da pessoa que errou para se redimir e, algo que a pessoa deve trabalhar em suas atitudes. Ela fala também sobre a necessidade de superação de figuras autoritárias de nossa infância que permanecem tendo certo poder sobre nós em vida adulta – ainda que não estejam presentes. Reflete como podemos nos curar dessas sombras e fantasmas em nossas vidas, e como todas essas coisas fazem parte de nós e como nos tornamos quem somos. O que torna a experiência muito encorajadora, inclusive e  principalmente para adultos.


Noelle Stevenson

O seriado original da "She-Ra" dos anos 80 também buscou transmitir esses valores, mas não com a mesma dinâmica apaixonante da versão da Dreamworks. Apesar de ter sido um bom modelo feminino para as crianças dos anos 80, "She-Ra" teve somente duas temporadas e em seus 93 episódios (se você conseguir chegar ao último) não prende a atenção e o interesse como o novo "She-Ra e as Princesas do Poder" em seus 52 episódios.

Não espere uma animação conservadora, morosa e entediante. Você vai ficar colado na tela e pronto para pular do sofá. Vai rir, se revoltar, e – se ainda tiver um bom coração – vai chorar, SIM. As relações entre personagens, entre elas e o ambiente, o empoderamento feminino, as nuances de comportamento – o que é aceitável e o que não é do outro em relação à nós, e inclusão. Em outras palavras, só vantagens! Uma animação para todos. Em especial os homens e meninos vão adquirir ainda mais aprendizados sobre as mulheres.

Noelle Stevenson também é responsável por outras obras que mostram meninas valentes que fazem suas próprias aventuras, como a webcomics chamada Nimona que foi publicada no Tumblr (se alguém quiser traduzir...) e Lumberjanes que são quadrinhos que começaram em 2014 e até hoje seguem sendo publicados. Todos aclamados pelo público e crítica. Aguardamos ansiosas por novos seriados e obras de Noelle <3.


Se você se interessou por Noelle e quiser saber mais sobre She-Ra e as Princesas do Poder pela ótica da criadora, você pode ver esse vídeo excelente do canal Meteoro:



*Postet by: Aline Veritas é formada em Cinema, mestre em Semiotica Discursiva, leitora assídua de graphic novels e literatura subversiva. Punk e radfem nos costumes e pró-guilhotina na economia.
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2 Comentários

  1. "O romance é tão discreto, que você só sente mesmo na última temporada" um romance discreto e sincero, que mostra a evolução da relação como um relacionamento real, no qual as personagens ainda estão se descobrindo, não sabem lidar com tudo que sentem.....confundem amor com posse, e desejo com a vontade de controlar o outro...os personagens amadurecem, se percebem e se forçam a evoluir e modificar suas atitudes para que o relacionamento ocorra. É uma ótima lição de vida 🥰😄😄

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  2. Nunca vi, mas vou dar uma assistida sim, o que descrever na matéria parece ser algo que a muito não vejo na tv e em desenhos, pois hoje é uma miscelânea de loucura e luzes sem sentido e profundidade. Precisamose de algo que ensine e prenda ao mesmo tempo.

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