Entrevista com Ana Carla [Dark Valley]: "Cada nota, cada palavra, cada desenho melódico tem o seu lugar e a sua razão de ser."


"O tempo longo de trabalho para o disco me permitiu acreditar no que estávamos fazendo. Cada nota, cada palavra, cada desenho melódico tem o seu lugar e a sua razão de ser."


Podemos esperar excelentes novidades vindas da banda natural de Porto Alegre, Dark Valley, como vocês podem conferir na entrevista a seguir. Tivemos a honra de conversar com a cantora, compositora e instrumentista Ana Carla de Carli sobre sua banda e seus projetos pessoais para 2020 e ainda ganhamos um spoiler do que eles farão em breve. Acompanhe abaixo o nosso bate-papo:


RckdB: Primeiramente, quero te agradecer pela disponibilidade em conceder essa entrevista ao Rock de Boneca. É uma honra poder falar com você! Então vamos lá: me conta um pouco de como começou a banda Dark Valley? 

Ana Carla: Eu que agradeço a alegria de estar presente aqui no Rock de Boneca! É muito bom falar sobre a Dark Valley num espaço tão representativo! Nossa banda teve os primeiros ensaios lá em 2015. Fazíamos jams e trazíamos rascunhos de casa para o estúdio. Toda a ideia do projeto estava sendo formada: nome, conceito. Até o momento atual do nosso lançamento, conseguimos amadurecer muito a ideia da mensagem do disco bem como a sonoridade característica da banda.

RckdB: Como surgiu a ideia de fazer o clipe de This is War sobre a Ophelia, personagem de Hamlet de Shakespeare? 

Ana Carla: Percebi que nossas músicas estavam interligadas de uma forma narrativa. Ophelia é a personagem do nosso disco - a faixa que abre, à propósito, tem o seu nome. Em This Is War, essa mesma personagem está verbalizando a dor e o sofrimento que passou, mas de uma forma muito forte. A ideia de que somente após sua passagem ela pode falar o que sente simboliza a intensidade dessa violência, além de remeter a um momento de conflito na peça original de Shakespeare. Uma inocente que se vai, vista como efeito colateral de uma guerra que não era dela... É uma das coisas mais tensas e injustas que existem.

RckdB: Como é o processo de composição das músicas da Dark Valley e como ele se relaciona com o seu próprio processo como artista, cantora, compositora e instrumentista? 

Ana Carla: Eu tenho um processo muito orgânico de composição. Digo que gosto de "digerir" a música: deixar que as respostas venham de forma sensitiva no meu corpo para, a partir daí, estudar soluções composicionais. As guitarras me inspiram muito para esse clima: por isso as jams e os rascunhos são tão importantes. Às vezes, o clima vem de algo que crio no piano e repasso à banda. O tempo longo de trabalho para o disco me permitiu acreditar no que estávamos fazendo. Cada nota, cada palavra, cada desenho melódico tem o seu lugar e a sua razão de ser. As letras geralmente vêm com as palavras sendo murmuradas, mas temos no disco poesias alemãs e um poema meu também que veio antes de a música existir.




RckdB: Eu sei que você é muito engajada em divulgar o trabalho de compositoras eruditas em Porto Alegre. Conta pra gente um pouco de como tem sido essa experiência e a receptividade do público. 

Ana Carla: Fico tão feliz com essa pergunta! Recentemente, dediquei meu recital de graduação em Canto Erudito à obra de mulheres compositoras. Foi uma pesquisa de cerca de um ano e meio e que continua ainda hoje! Sempre que proponho a reapresentação desse trabalho, ele tem obtido ótima receptividade, tanto no meio acadêmico quanto em saraus abertos. Percebo que existe muita sede de consumir repertório novo: muitas canções adormeceram no tempo, mesmo tendo sido super reconhecidas em sua época. Vejo que as pessoas saem encorajadas após assistirem e, no caso das mulheres, percebem que realmente nunca estiveram sozinhas.

RckdB: O que podemos esperar para o ano de 2020 no que tange ao futuro da Dark Valley e seus trabalhos como artista solo? 

Ana Carla: Temos mais singles agendados para o ano, cada um mais diferente que o outro! E o próximo sai em abril: Ophelia é a próxima música de trabalho. Nessa faixa, contaremos com as orquestrações de Melissa Ironn. Como artista solo, estou participando das gravações do álbum do Tiago Assis, multi-instrumentista sensacional que está fazendo um álbum colaborativo com alguns dos maiores nomes do metal do RS (alguns morando nos USA e na Europa atualmente) - então, é uma honra estar nesse time!!


Obrigada pelo carinho em responder nossas perguntas, Ana! Sucesso para a banda e para você. Aguardamos ansiosos o que o futuro nos reserva \m/


Fotos: divulgação da artista. Entrevista feita no dia 15 de março de 2020, todos os direitos reservados ao Rock de Boneca.

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